Lock 'n Load @FAUP

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Ora bem, venho então, a pedido de muitas famílias (se calhar não tantas assim, mas não interessa), publicar algumas imagens do louco, desgastante, moroso, próprio-de-maluquinhos-com-demasiado-tempo-livre, mas de certa forma compensador projecto em que me lancei desde há uns meses para cá: mp_faup, ou, para os não-iniciados, "cenário multijogador de Call of Duty 2 baseado no edifício da FAUP". Assim, aqueles que nunca ouviram falar desta realização (ainda inacabada, e talvez, perpetuamente), que pelos vistos são cada vez menos, têm agora uma oportunidade de ver a nossa querida faculdade por um outro prisma.
Ok, e agora, após este preâmbulo meramente formal, podem então dar uma olhada:

(cliquem nas imagens para uma melhor resolução)








Episódios da Vida

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O senhor Milhares resolveu levar o seu sonho avante. Construir um lar de idosos de luxo. Alta categoria, o sete estrelas dos lares de terceira idade. Para tal, decidiu contratar uma catrozada de arquitectos. Viu de tudo, não gostou de nada. Desapontado, virou-se prás mentes mais jovens, as acabadinhas de cozer. Reuniu várias equipas de cada escola de arquitectura a fim de conseguir a melhor equipa para concretizar o seu sonho. Após um exaustivo processo de selecção, chegaram ao fim duas equipas, uma da Esap e outra da Faup. O senhor Milhares decidiu colocar as duas equipas à prova pondo-as a competir entre si. Assim os jovens começaram a apresentar as suas proezas do passado e as suas características mais significativas para convencer o senhor Milhares de que eram os melhores para a tarefa. Transcrevo agora algumas das competências apresentadas.
Um aluno da Esap virou-se para os da Faup e de forma desdenhosa vangloriou-se:

A.E.: Eu uso o rosa para definir os rectângulos de ouro!

Ao que um aluno da Faup retorquiu desencadeando um despique verbal…

A.F.: Eu cá faço processo só com uma mão!
A.E.: Pois eu sou capaz de criar malhas com ritmos interessantes…
A.F.: Ai é? Já eu consegui manter uma conversa de 5 minutos conscientes com o prof de Espaços.
A.E.: Sim pois claro, eu sei que o castanho claro é a cor ideal pras zonas de estar!
A.F.: Uhh, eu cá sei que há uma peça nas casas do séc. XVIII que se chama chincharel!
A.E.: Ui que muito! Eu já percorri centenas de metros com o meu rato….
A.F.: Chiii….. E eu já fiz terakilometros com o meu lápis!
A.E.: Oh, grande coisa, eu consigo distinguir uma casa da Zaha Adid duma do Campo Baeza só de olhar pra legenda…
A.F.: Pois eu faço trama tão fina que a espessura da 0,13 é mais grossa que o espaçamento entre as linhas!
A.E.: Ai sim? Já eu uma vez tive 24 horas seguidas na escola!
A.F.: Uma vez também tive 24 horas seguidas, mas foi em casa…
A.E.: Eu aqui sei o Neufert todo de cor!
A.F.: Eu também só que já me esqueci.
A.E.: Eu trabalhei com a reprografia mais sofisticada do Porto!
A.F.: Pois eu trabalhei com a senhora de papelaria mais eficiente do País!
A.E.: Eu se for mesmo preciso, trabalho até á meia-noite…
A.F.: Ora eu aguentei assistir a mais de metade das aulas de antropologia.
A.E.: Eu possuo a capacidade de fazer maquetes com mais de 10 cm de envergadura…
A.F.: Já eu, nunca adormeci numa aula de Mlac! Nunca!
A.E.: Ahahah, eu tive numerosas aulas duma disciplina chamada: Arquitectura!
A.F.: Epah, eu cá tive várias aulas de: Arquitectura…

Enquanto se confrontavam, o senhor Milhares teve um enfarte e morreu. O seu filho que era engenheiro continuou o sonho do pai elaborando o projecto com um seu amigo próximo da Feup…

Corrosivas

0 !

"...atrasar a hora de almoço é um pecado muito grave."
- prof. de SMC

"Era uma vez um golfinho."
- prof. de Espaços

"Sabem que as pessoas mudam. Eu quando tinha dois anos de idade era lindíssimo."
- prof. de SMC

"... o quadro (quadro no sentido do quadrado da tela que se põe na parede) chamava-se..."
- prof. de HAM

"Uma galeria é um sistema de distribuição galérico."

- prof. de Projecto III

"Morrer queimado não dói nada. Muito antes de o fogo chegar, já morreram por causa do fumo. Garanto-vos que quatro ou cinco inalações de fumo de incêndio e perdem a consciência. E depois ficam ali deitadinhos à espera que venha o fogo e faça o resto."
- regente de Projecto III

"Sumam-se!"
- prof. de SMC

"Já alguém foi ao Fórum 2004?" [murmúrios por parte dos alunos, que por acaso são os mesmos que fizeram a viagem de estudo do segundo ano a Barcelona] "Alguém?"
- prof. de Urbanística

"Eu também dei aulas num liceu, e o meu primeiro ano - o meu único ano,- foi um sucesso estrondoso, como se pode calcular."
- prof. de Espaços

"O sítio do carro é horrível?! Nós se pudéssemos levávamos o carro para a cama!"
- prof. de Projecto III (turma D) durante sessão de crítica comparada.

"E talvez, se isto não for apropriado para uma Casa da Música, seja apropriado para uma Casa da Gaita."
- prof. de Projecto III (turma A), idem aspas

"Peço desculpa se acordei alguém."
- regente de Projecto III, início da aula teórica.

"Dá uma certa boa disposição, uma certa sonolência, e um gajo acorda morto."
- prof. de SMC, acerca do monóxido de carbono nos WC's.

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Secção em actualização permanente!

Top 15 das Reacções do Mau-Perdedor quando alvejado numa Sessão de COD2

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Nota: Os desabafos inconformados foram adulterados no sentido de possibilitar a visualização dos mesmos por menores. Assim, tudo o que é palavrão ou expressão menos própria foi substituida por objectos do quotidiano ou asteriscos.

1- "...bolas, esta ****** ta a lagar..."
2- "...iah, campista do caneco..."
3- "...pois, pelas costas..."
4- "...oh! tava a carregar ********..."
5- "...******, esta arma não vale uma ****..."
6- "...sim sim, de sniper também eu..."
7- "...iah pois, se eu conhecesse o mapa..."
8- "...hey! tinha acabado de nascer ***..."
9- "...**** o meu rato tá bue de sensível..."
10- "...chiii, que piço, lança granadas à sorte"
11- "...ah bom, com a rebarbadeira ta bem..."
12- "...hey! dois ao mesmo tempo não******..."
13- "...ah, Que salho tavas mesmo na minha mira..."
14- "...**** não morreste? Descarreguei esta ***** toda em cima de ti *******..."
15- "...iah tás sempre nessa janela paradinho...".

Crónica da Nova Espécie

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O Nascimento

O ano é o de 1945. Um ano terrível para o mundo, contudo a estirpe Hitleriana cessa a sua existência, pelo menos sob forma física. As atrocidades e os horrores ainda pairam no ar turbulento da Baviera. Perdida nos sopés das montanhas, estava uma casa vitoriana velha na qual os compartimentos competiam entre si, o seu nível de bafio. Foi num deles, a biblioteca, que num dia tempestivo de trovões martelantes e chuvas estilhaçando nas vidraças, o fenómeno se deu. A luz irrompia raiada pela escuridão abafada da biblioteca, projectava a sombra dos caixilhos das janelas no chão em carpete de onde se erguia uma mesa de pernas torneadas e uma estante de 3 pisos grotesca e pesada pelo seu carvalho envelhecido. Um passado negro envolvia a mansão, ainda envolve. Da terra em seu redor brotava um fogus factus que se misturava em vórtices ondulantes no vento agitado. Era a época de acasalamento dos bichos do papel e ao fim de 3 castos anos um bichito macho avistou fulgorosamente uma fêmea passeando penosa sobre a capa empoeirada dum livro de Nietchze. Aproximou-se dela, cortejou-a embora não haja de todo competição, são os únicos seres vivos ali. (Alterando o tempo da oração) A tempestade lá fora intensifica-se como se a ira da natureza estivesse prestes a testemunhar a sua mais negra criação. As nuvens carregadíssimas de fúria embatem ainda com mais força umas nas outras, esborrachando-se em tremores estrondosos. Os bustos e os biblots da sala de leitura tremem sobre as superfícies quase perpetuas dos móveis. A fêmea cheira o macho e sente o cio, que magnifica oportunidade para contribuir para a preservação da sua espécie. Encostado de pé ao livro de Nietchze, agora um palco nupcial, encontrava-se um exemplar completíssimo, um “Postulado para o Teórico sobre a Teoria”. O bicho aproxima-se, ela não lhe dificulta a vida. A tempestade rebenta em raiva… Bem lá no alto da coluna central da estante estava uma raridade cujo anterior utilizador não teve o cuidado de a guardar convenientemente. Por ter deixado este livro deitado sobre os outros alinhados na vertical esqueceu-o um pouco saído e em risco de tombar. O vento esbofeteia a mansão num violento abanão fazendo cair esse fantástico “Volume da Oração Erudita” da prateleira mais alta. O Postulado também se desequilibra e volta-se tombando sobre o casal roedor de papel. O macho põe as patas por cima da carapaça estaladiça da fêmea, o Volume precipita-se sobre eles esvoaçando as suas sábias páginas num remexer do mofo do ar. A inclinação do Postulado é agora evidente, dentro de dois segundos terá esmagado o casal procriador. O Volume acelera a sua queda prevendo esmurrar-se no casal no mesmo exacto momento do Postulado. Muito em breve o exemplar de Nietzche será uma campa, ou talvez não... Num golpe severo, o vento consegue quebrar a vidraça frágil decompondo-a em amorfos recortes de vidro. Traz a chuva consigo, molhando o chão e os cortinados, mas há uma gota solitária e arrojada que se solta das suas irmãs e se lança num braço de vento num voo em direcção aos bichos. O Livro, o Volume e o Postulado encontram-se agora a um centímetro do casal e eis se não quando o macho investe em desfloração na fêmea. No momento a seguir os três exemplares de sabedoria tocam-se desintegrando o casal ao mesmo tempo em que a gota do fluido vital se estatela contra os dois bichos envolvendo-os, como que num abençoar do acto de vida, o fenómeno a decorrer. E é ainda, no micro segundo imediatamente seguinte que as nuvens rompem em loucura num relâmpago tenebroso que atinge toda a cena fenomenal dos bichos, os exemplares e a gota de água. Ouviu-se um “PUNFKTS” quando o raio os explodiu, uma aura esbranquiçada solta-se e os lobos barbentos do monte uivaram sem saber porquê….uma estranha receita deu fruto…

Nove meses passaram. Neste tempo e naquele local onde jaziam as duas criaturas e os livros, floresceu um fungo, fungo este que formou um bolor micro activo, depois um muco proteico, um soro vitamínico, mais tarde uma seiva repleta de nutrientes e por fim aquele concentrado biológico tinha criado uma forma básica de placenta fazendo nascer do seu seio uma criatura bizarra. Cinquenta anos passaram e durante estes, a criatura alimentou-se de palavras e de ideias que comia dos livros, adquiriu uma forma humanizada de tanto conviver com os bustos sérios nos cantos da biblioteca, cresceu nesse ambiente sagrado. Deambulava taciturna na procura do sentido da sua vida. Na altura em que se sentiu confortavelmente parecido com uma pessoa, saiu à rua e aventurou-se à descoberta do que lhe aparecesse à frente.
A verdadeira história passa-se nos doze anos seguintes mas deixarei isso para outro capítulo…
Posso-vos só adiantar que actualmente a criatura sente-se tão só na sua mansidão pacata que sente uma necessidade vital de tratar tudo o que o rodeia por “os meus amigos”, amigos estes que a olham em muitas formas excepto na forma de um amigo.